2021: O Ano que precisamos fazer diferente

Matheus Cônsoli lança artigo com o tema "2021: O Ano que precisamos fazer diferente". Leia e acompanhe as principais notícias do mundo Agro!

Pode parecer simplista, mas a necessidade de fazermos coisas diferentes sempre fez parte dos planos e das resoluções de ano novo. Acabamos de entrar em 2021, vindos de um 2020 para lá de conturbado! Tivemos a maior pandemia da história recente, mudanças incríveis (para melhor e para pior) no ambiente de negócios, modelos de negócios, comportamentos, aceleração da transformação digital e uma sensação de futuro ambígua, tanto para os mais experientes quanto para as gerações mais novas. Também tivemos um ano de extrema polarização política e ideológica, tanto no Brasil, como no mundo. Assistimos a uma acirrada eleição nos EUA, com sinalização de algum retorno de bom senso e no Brasil, com todos desafios, nem a esquerda nem a direita reinaram. Foi o centro que se estabeleceu nas eleições municipais, indicando um eleitor possivelmente cansado dos nós x eles, bem como esperando mais dos nossos políticos. Infelizmente as prometidas reformas estruturantes e o impulso macroeconômico não saíram do papel e poderão nos custar caro no biênio 2021-22, com olhos para a próxima eleição.

No agro, especialmente para o Brasil e países exportadores o negócio foi em geral positivo. Câmbio favorável, retomada de exportações, preços atrativos e margem no campo. Mas como destaco no título, será um ano provavelmente oportuno, mas muito desafiador. Teremos que de fato fazer algo diferente e que vá muito além das palavras e promessas - e eu estou dizendo no mundo dos negócios!

Para reforçar suas ações e estratégias em 2021, imagino que ao menos cinco temas devem ser considerados pelas empresas de insumos agrícolas, pecuários, empresas de distribuição e pelo próprio agricultor.

1. Eficiência Operacional. Apesar do bom momento de preços e margens agrícolas, os elos industriais e de distribuição de insumos vivem apertos de margens. A longevidade e viabilidade dos negócios não virá da sonhada melhoria ou aumentos de preços, mas sim dos ganhos de escala e eficiência comercial e operacional. Teremos que fazer mais, vender mais, mas gastando menos. Efetividade comercial, logística, modelos financeiros e estruturas mais enxutas são exemplos de alavancas para se buscar essas eficiências.

2. Digitalização. A pandemia infelizmente teve grandes impactos sociais e econômicos, mas nos mostrou que é possível fazer coisas, interagir com clientes, realizar eventos, feiras, convenções, palestras, dias de campo, reuniões dentre uma infinidade de atividades que passaram a ser digitais. Ademais, a adoção de tecnologias e serviços no campo está crescendo. Possivelmente teremos um “retorno” a coisas tradicionais, mas muito do que se digitalizou veio para ficar e não deve voltar totalmente. Empresas, agricultores e profissionais das mais diversas áreas terão que reaprender a desenvolver novas formas de comunicação, interação e modelos de negócios com a aceleração digital promovida pela pandemia.

3. Agenda ambiental. O “quase caos” de detrimento de imagem vivido pelo agro em 2020 decorrente das queimadas, grupos de interesse e uma clara falta de coordenação entre as cadeias produtivas, empresas e governo potencializaram esse tema. Assim, para mantermos nossa competitividade temas ambientais, rastreabilidade, sanidade, transparência e melhor comunicação com os mercados será fundamental, ou também poderemos pagar caro pela omissão em inserir esses temas nas estratégias empresariais e nas políticas públicas.

4. Foco no Cliente. Quase todas as empresas declaram ter foco no cliente. A realidade estratégica e operacional é um pouco diferente. Gasta-se muito tempo e dinheiro em temas internos, desalinhamentos, processos e uma infinidade de burocracias (umas incontroláveis mesmo, mas outras criadas pelas próprias estruturas corporativas). Assim, com as mudanças comportamentais que estamos vivendo, a questão do digital, mudanças como sucessão no campo, entre outras precisam colocar o cliente no “meio” da estratégia. Isso promoverá avanços, melhorias e possivelmente novos negócios!

5. Pessoas e capacitação. Para aproveitar as oportunidades e “fazer diferente” precisaremos de gente. E gente preparada, capacitada e motivada. Infelizmente a “matéria prima” está escassa e então desenvolver e formar pessoas também é um tema estratégico para o pais (em termos de sistema educacional, políticas públicas e investimentos) e para as empresas, que não podem esperar a próxima geração!

Assim, espero que os leitores do Agrodistribuidor, sejam profissionais, empresários, agricultores, parceiros etc possam de fato trabalhar para que seus negócios definitivamente avancem com coisas diferentes. E que possamos ter um setor mais próspero, como mercados e empresas fortalecidas, contribuindo ainda mais para o desenvolvimento do Brasil. Feliz 2021, bom trabalho e muito sucesso a todos!

 

 

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