Financeirização do Distribuidor (Parte 5) - Operações de Exportações com Antecipação de Recebíveis

Rodrigo Alvim e Matheus Cônsoli dão continuidade a série de 6 artigos sobre a "Financeirização do Distribuidor “. Neste quinto artigo será abordado o tema "Operações de Exportações com Antecipação de Recebíveis". Leia e acompanhe as principais notícias do mundo Agro!

Discutimos a abordamos nos artigos anteriores dessa série, algumas modalidades e possíveis fonte de recursos a serem captados pelos distribuidores de insumos. Já avaliamos as questões que envolvem parcerias com fundos de direitos creditórios, as operações estruturadas de CRA e as parcerias bancárias. Nesse artigo discutiremos em especial as operações de exportação e antecipação de recebíveis e encerraremos a série com um último artigo sobre a constituição de fundos próprios ou emissão de moedas próprias.

Dado que boa parte das commodities agrícolas produzidas no Brasil acabam sendo comercializados para exportação, elas abrem a oportunidade para que as empresas do setor possam realizar operações de captação em moedas estrangeiras, estando “hedgeadas” naturalmente, dado que as vendas para exportação também gerarão uma receita em moeda estrangeira.

Neste sentido, principalmente para as empresas que trabalham com Barter e que passam o grão por dentro do CNPJ da empresa de distribuição, que “compram” o grão do produtor e “vendem” o grão para a trading, pode aparecer uma oportunidade de desenvolver um novo mercado comprador, no exterior, para o qual a empresa faria a exportação do grão.

Esta operação para o mercado externo, transacionada em moedas internacionais como o dólar por exemplo, pode ser feita com o envolvimento de algum parceiro financeiro internacional, que poderá fazer a antecipação do recebível dessa exportação e aportar o recurso no caixa do distribuidor, mediante este contrato de exportação firmado com o comprador internacional.

Na maioria dos casos estas operações em moedas internacionais são mais atrativas, do ponto de vista do custo financeiro, e tendem a gerar ganhos de competitividade para as empresas que as operam.

É bem provável que tenhamos cada vez mais operações deste tipo acontecendo à medida que o processo de consolidação da distribuição avança e as empresas vão se tornando cada vez maiores, seja na venda de insumos, seja na originação de grãos. Assim, para poder aproveitar este tipo de oportunidade, no entanto o distribuidor deverá:

  1. Procurar uma empresa parceira: Um parceiro que possa apoiar na prospecção e na aproximação dos contatos com os eventuais compradores no mercado externo, e que possam já fazer toda a conexão com as instituições financeiras que irão participar da operação oferecendo antecipação dos recursos financeiros;Existem muitas regras específicas para realizar as operações de exportação e procurar ajuda especializada facilita os distribuidores a ganhar tempo e não executar atividades irregulares, o que traria maiores riscos ao negócio;
  2. Providenciar todos os registros para exportação: Tentar trabalhar com exportação direta, pode exigir que a empresa exportadora tenha alguns registros específicos junto aos órgãos reguladores;
  3. Investir na construção do relacionamento e parceria: Dado que estes tipos de operações tendem a ganhar relevância e ampliação do volume, conforme as partes vão se conhecendo melhor, se aproximando e transações posteriores são realizadas, por isso, é preciso que o distribuidor pense nestas alternativas como um investimento;
  4. Ter boa organização financeira e bons controles da originação do grão: Dado que será feita uma operação de antecipação de recebíveis vinculados à exportação, o distribuidor assumirá um compromisso com empresas estrangeiras, e terá com isso algumas obrigações, físicas e financeiras. Neste sentido é fundamental que o distribuidor tenha plena consciência de que será possível cumprir os termos do contrato, dado que um eventual rompimento, podem deixar o distribuidor bastante exposto;
  5. Investir no Monitoramento de safras: Como dito anteriormente, este tipo de operação o distribuidor assume uma obrigação do o comprador do grão no mercado externo, portanto garantir que toda a soja originada seja realmente recebida é fundamental, para não deixar o distribuidor exposto. Sendo assim, estabelecer parcerias com empresas que apoiam no monitoramento de safra é um diferencial que traz segurança. Este monitoramento pode ser feito via satélite com as tecnologias hoje já disponíveis e eventualmente complementadas com visitas presenciais.

Dessa forma, para aqueles distribuidores que já operam grãos e para os consolidadores, as alternativas podem se expandir com a captação de recursos via antecipação no mercado internacional. Naturalmente, será preciso planejamento, organização e estrutura para avançar com mecanismos mais complexos e operações dessa natureza. Pense nisso, se organize e ótimo trabalho!

 

 

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