Financeirização do Distribuidor (Parte 3) - Operações Estruturadas de CRA

Rodrigo Alvim e Matheus Cônsoli dão continuidade a série de 6 artigos sobre a "Financeirização do Distribuidor “. Neste terceiro artigo será abordado o tema das "Operações Estruturadas de CRA". Leia e acompanhe as principais notícias do mundo Agro!

No artigo anterior já discutimos a questão das parcerias com fundos de direitos creditórios como fonte de captação de recursos. Conforme temos abordado nessa sequência de artigos, outras alternativas existem, tais como, as operações estruturadas de CRA, parcerias bancárias, operações de exportação e antecipação de recebíveis, e constituição de fundos próprios ou emissão de moedas próprias. Abordaremos nesse artigo o tema das operações com CRA.

É um fato que as operações de CRA já se tornaram bem conhecidas dos distribuidores de insumos, muitas vezes estimulados pelas indústrias de insumos, que desejam ter uma maior segurança no recebimento e melhorar seus indicadores de balanços. Neste cenário, nos últimos anos, boa parte dos canais de distribuição já fizeram algum tipo de operação de CRA em que os valores antecipados dos recebíveis eram direcionados para as indústrias, como se fosse um pagamento a vista para a indústria de insumos.

Para conseguir levantar um bom montante de recursos e para diminuir um pouco o risco da operação, estas operações tradicionais normalmente foram organizadas pelas indústrias, mas com o envolvimento de um grupo maior de distribuidores, ou seja, a indústria encabeça a organização do CRA, mas capta as CPRs junto a um grupo de cerca de 10 distribuidores, por exemplo.

Estas operações tradicionais geravam um certo desconforto para os distribuidores, pois eles se sentiam meio que obrigados pelas indústrias a participar, caso contrário, poderiam não ter limite de crédito suficiente para realizar todas as compras de defensivos para a safra, mas ao mesmo tempo, eles se viam participando de uma operação estruturada junto a outros distribuidores que eles não tinham conhecimento algum sobre qual era o processo de gestão e critérios de concessão de créditos destas outras empresa.

Sendo assim, ao entrar em operações de CRA pulverizados, o distribuidor se sentia assumindo um risco fora de seu controle, dado que um percentual do capital levantado na operação fica restrito para suprir eventuais casos de inadimplência, e para garantir a posição do investidor que comprou o título.

Durante um tempo acreditava-se que emissão de CRAs corporativos, ou individualizados seria inviável, por ter um risco muito elevado e consequentemente um alto custo de captação.

Atualmente, porém, com o amadurecimento das operações de CRA, já é possível que os distribuidores se organizarem em grupo para emissão de um CRA pulverizado, mas sem depender da indústria de insumos, ou até mesmo realizar a emissão do CRA corporativo individualizado.

O que percebemos é que neste momento, há algumas operações de CRA sendo estruturadas pelos próprios distribuidores, fazendo a captação diretamente para eles, esta situação permite maior independência do distribuidor, e melhor definição do direcionamento para a utilização do recurso antecipado pela emissão de CRA.

Por fim temos observado que esta operação vem ganhando importância, e mais recentemente uma nova alternativa de emissão vinculada a moeda estrangeira, e boa parte delas tem oferecido condições financeiras mais atrativas do que as compras a prazo, ou seja, uma boa oportunidade de ganho de eficiência. Porém, para aproveitar esta situação é importante que o distribuidor tenha algumas características e preparação:

  1. Bom rating de crédito: O distribuidor que deseja melhorar seus resultados por meio da emissão do CRA precisa possuir um bom rating de crédito - precisa ter uma boa situação financeira, organização contábil/fiscal, e bons padrões de gestão. Isso é necessário pois a situação da empresa que está emitindo o CRA é analisada na hora da avaliação dos riscos e determinação do custo de captação deste recurso;
  2. Boa Qualidade das CPRs: Os procedimentos de controle sobre as CPRs, e a qualidade das CPRs será analisada no momento da emissão do CRA, portanto quanto mais seguras as CPRs são percebidas, melhores as atratividades;
  3. Boa Estrutura de Concessão de Crédito, monitoramento e qualificação das garantias: Neste cenário de emissão de CRA, a segurança da empresa e da forma com que o distribuidor qualifica as garantias pode fazer toda a diferença no custo desta forma de captação, sendo assim, investir em tecnologia e parcerias para monitoramento e qualificação das garantias pode fazer toda diferença;
  4. Balanços Auditados: No momento de tentar estruturar um CRA corporativo, um grande diferencial para as empresas é possuir os demonstrativos financeiros auditados, para garantir a qualidade das análises numéricas da empresa, este fato geralmente resulta em maior segurança à operação e consequentemente menor risco, portando menores custos financeiros.

Dessa forma, avançamos nesse artigo com um maior detalhamento sobre como aproveitar eventuais oportunidades de captação por meio de operações estruturadas com CRA. Já no próximo artigo abordaremos as parcerias com bancos nesse contexto de financeirização do negócio de distribuição. Ótimo trabalho e sucesso a todos!

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